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Omni Saúde: IA na redução de desperdícios na saúde

01/06/2026 Fonte: Globo

A Omni Saúde nasceu com uma proposta relativamente simples: transformar medicamentos em um benefício corporativo tão comum quanto plano de saúde ou vale-alimentação. Agora, a startup quer ir além. Com inteligência artificial no centro da operação, a healthtech aposta em dados, automação e assistência farmacêutica para atacar um dos principais gargalos do sistema de saúde brasileiro: o desperdício gerado pela baixa adesão a tratamentos e pela falta de acompanhamento contínuo de pacientes.

A tese já atraiu investidores. Desde 2023, a empresa levantou R$ 25 milhões em cinco rodadas de investimento, com participações de fundos e investidores ligados ao setor de saúde, como Green Rock, Enseada Family Office, Norte Ventures e Wayra, braço de corporate venture capital da Vivo. A empresa também foi selecionada para o programa Emerging Giants, da KPMG.

“A Omni vive um momento de consolidação de tese e aceleração de crescimento”, afirma Fernando Domingues, cofundador e CEO da empresa. “Estamos evoluindo de uma healthtech de benefício para uma camada estratégica de gestão de saúde populacional, usando dados, IA e assistência farmacêutica para melhorar adesão a tratamentos e reduzir desperdícios no sistema de saúde.”

Hoje, o principal produto da companhia é um plano de medicamentos totalmente digital voltado para empresas. Na prática, funcionários podem comprar medicamentos em qualquer farmácia do Brasil, física ou online, usando o aplicativo da Omni e pagamento via Pix.

A startup, porém, diz que o diferencial não está apenas no benefício financeiro. Segundo a empresa, o principal ativo é a camada responsável por monitorar adesão terapêutica, mapear riscos populacionais e gerar insights para estratégias de saúde. “Estamos transformando medicamento em inteligência assistencial”, diz.

A operação funciona sem rede credenciada. O usuário pode comprar medicamentos em mais de 95 mil farmácias disponíveis no Brasil, enquanto a plataforma faz validações automatizadas de prescrições, auditoria antifraude e análises de comportamento transacional.

Segundo a empresa, a IA sempre esteve no centro da arquitetura operacional da startup. “Para nós, a inteligência artificial nunca foi um ‘acessório’”, afirma. “Desde o início, desenhamos a empresa para operar com automação, validação inteligente de prescrições, auditoria antifraude e análise de comportamento transacional.”

A Omni argumenta que isso se tornou uma vantagem competitiva em um setor ainda marcado por processos manuais e sistemas legados. Mas o foco, segundo a companhia, não é apenas eficiência operacional. “Talvez o principal diferencial seja a forma como usamos IA para ampliar acesso e eficiência, e não apenas para reduzir custo da operação.”

A healthtech também quer aprofundar o uso de modelos preditivos. Entre os objetivos para 2026 estão identificar abandono de tratamento, riscos clínicos e oportunidades preventivas em tempo real.

A empresa afirma que este ano e 2027 devem marcar uma fase de escala. A expectativa é ampliar a base de vidas cobertas e consolidar a Omni como infraestrutura de acesso a medicamentos para empresas, seguradoras, operadoras de saúde e plataformas digitais de saúde.

Entre as prioridades estratégicas estão integração com ecossistemas de telemedicina, planos de saúde e atenção primária, além da expansão do chamado modelo “embedded health”, em que o benefício farmacêutico passa a fazer parte nativa da jornada de saúde corporativa.

Na visão da startup, existe um espaço estrutural pouco explorado no Brasil. “O mercado brasileiro historicamente negligenciou a cobertura de medicamentos dentro da jornada assistencial. E isso gera um impacto enorme em adesão, agravamento de doenças e custos evitáveis”, afirma Domingues.

A startup já firmou parcerias com operadoras e empresas como Seguros Unimed e Care Plus. Segundo os materiais institucionais da companhia, as integrações têm foco em jornadas digitais completas, conectando consulta médica, tratamento e monitoramento contínuo da saúde.

Apesar da sequência acelerada de captações, a Omni diz que o foco atual continua sendo execução. “Naturalmente, conforme a empresa ganha escala e amplia relevância no ecossistema de saúde, novas conversas acontecem. Mas nosso foco principal continua sendo o crescimento sustentável.”